Nany People: 36 anos de carreira e humor de primeira

Com o seu vigor, humor ácido e um leque na mão, Nany People Cunha Santos, a nossa drag do povo, é um ícone da TV brasileira que nos dá a honra da sua presença dentro e fora das atrações da TV e da Rádio nacionais.

Aos 56 anos, é uma artista multifacetada: atriz, humorista, cantora e apresentadora. Isso, sem falar na figura de representatividade que vem conquistando gerações no decorrer dos anos. 

Vem conhecer a trajetória desse fenômeno nacional e se emocionar com cada passo dado nessa história cheia de superações e conquistas.

O lar tradicional que criou uma estrela

“Eu não coloquei alma no mundo para servir de chacota da humanidade”, parafraseia Nany a fala da sua mãe tão querida, Dona Yvone. Nascida em Machado, município de Minas Gerais, Nany foi criada em Poços de Caldas, onde passou boa parte da vida em um lar muito tradicional e modesto.

Ela é a caçula dos três irmãos Zé Henrique e João Batista, que sobreviveram às cinco gestações de Dona Yvone. A mãe era uma funcionária pública além do seu tempo, apesar de muito religiosa, sempre notou que havia algo especial e diferente em sua filha.

Um fato curioso do nascimento de Nany é que o seu cordão umbilical foi dado para uma vaca comer. O nome dela? Fortuna! A “mimosa” que tinha uma mancha em formato de estrela na testa era a responsável, segundo a crença, por tornar a vida das crianças “bem-aventuradas”.

Quando criança, tinha uma personalidade muito contida, principalmente para não entrar em conflito com o pai. A personalidade contida não tem nada a ver com a Nany que conhecemos hoje em dia!

A criança Nany: menina prodígio

A artista ainda nem tinha saído das fraldas quando ouvia Dalva de Oliveira, Emilinha Borba, Ângela Maria e outras estrelas da Rádio Nacional. Aos três anos, já queria fugir com o circo e com apenas quatro, fez sua primeira apresentação pública!

Em uma quermesse, a artista queria um cartucho rosa de doces indo contra seu pai que dizia que para os meninos, deveria ser azul. Para ganhar o rosa, o prodígio mirim se apresentou interpretando uma música do renomado Paulo Sérgio

Aos 8 anos de idade, Nany viu os amigos do colégio ensaiando para uma peça de teatro e a mãe logo a matriculou num curso de teatro em Poços de Caldas, pois sabia que seria esse o seu futuro.

Ainda com a mesma idade, foi para duas caravanas do Chacrinha e foi campeã nas duas vezes em que participou, ganhando uma televisão em cada participação. O gostinho da carreira artística já estava em sua boca e para esquecê-la, seria muito difícil!

Apesar disso, embarcou na moda da época: as escolas técnicas. Se formou em 1983 como Auxiliar Técnico de Laboratório de Análise Química Industrial e por ironia, ainda foi oradora da turma. 

Nany trabalhou na área até os 20 anos quando sentiu o chamado para a sua verdadeira vocação: o teatro. Ao ver a filha triste e infeliz, a mãe logo cuidou de ajudá-la e incentivá-la para seguir o seu sonho em São Paulo, a cidade que lhe presenteou 33 anos depois com a cidadania paulistana.

Minha mãe dizia que não queria um filho frustrado em casa.

Sem o apoio de Dona Yvone, sem sombra de dúvidas, a artista teria seguido um caminho tradicional. Esse incentivo foi fundamental para que a carreira da comediante deslanchasse na mídia nacional.

A noite paulistana revelou Nany People

 

Muitas coisas podem ser mutáveis na vida de Nany People, menos uma: o trabalho. Por não fugir do trabalho e muito menos do seu sonho de ser artista, a humorista sempre buscou conciliar outros trabalhos com o estudo das artes cênicas.

Em São Paulo, já foi bilheteira, cantou em casamentos e se apresentava no teatro, mesmo antes da sua transição de gênero. Na antiga comunidade GLS foi onde se encontrou, iniciando a sua carreira como drag queen na noite paulistana.

O talento como atriz, facilitou e muito a caminhada da artista como transformista. Foram as dublagens, shows de humor e muito carisma que fizeram com que a artista fosse disputada por diversas casas de show São Paulo afora.

Seu nome de drag e atual nome de registro nasceu dos seus amigos do meio. Eles se referiam à ela fazendo a ligação ao nome da sua madrinha artística: Nani Venâncio. O segundo nome, veio do seu talento em entreter o público. “People” em inglês, significa pessoas. Por isso: Nany People ou Nany do Povo.

Com o sucesso nas boates noturnas e casas de show de São Paulo, em pouco tempo as portas foram abertas para que as casas dos brasileiros recebessem a artista, dando o pontapé inicial na TV.

Nany People: a drag do povo

Nany se projetou ao cenário nacional estreando sua carreira televisiva como repórter, notada pela extinta TV Manchete em 1997, no programa “Comando da Madrugada” apresentado por Goulart de Andrade.

No programa ela comandava o quadro “Abafando No Bafon”, que apresentava a cena da noite noturna e depois passou a falar sobre os bastidores das artes, cultura e eventos em geral.

Depois da experiência na Manchete, Nany foi contratada para o programa “Flash”, da Rede Bandeirantes (1999), retornando dois anos depois para ao “Comando da Madrugada”, agora na TV Gazeta nos anos 2000.

Após a sua aparição em uma edição comemorativa da revista Marie Claire falando sobre as 4 drags renomadas da noite paulistana, Nany foi notada por ninguém mais, ninguém menos, que Hebe Camargo

Ao lado de Hebe, desenvolveu mais que uma relação profissional, mas uma relação quase que maternal. A apresentadora colocou a artista para ser repórter de links ao vivo em seu programa, apresentando-a de vez para a sociedade brasileira.

A Hebe me mostrou para a sociedade brasileira. O trabalho de drag sempre foi muito aplaudido, mas não respeitado. A Hebe me levou para Portugal duas vezes.

Depois de cinco anos de participação no programa da Hebe, Nany engatou como humorista na “Praça É Nossa”, sentando no famoso banquinho ao lado de Carlos Alberto de Nóbrega, onde permaneceu por quatro anos.

Ainda no SBT, Nany People foi jurada do programa “Cante Se Puder” de 2011 a 2013 e do quadro “Dez Ou Mil” no Programa do Ratinho (2020-2021).

Do teatro tradicional ao Stand Up Comedy

O teatro não é apenas um “dom” da artista! E poderia até ser uma afronta dizer que todo o seu talento vem apenas disso. A artista é formada pela Universidade Estadual de Campinas no Curso de Extensão Universitária da Interpretação.

Em 1998, Nany interpretou Dalva na peça “Um Homem é um Homem”. E, depois disso, a lista de aparições no teatro nacional da artista só cresceu. Participou do Risorama, no Festival de Teatro de Curitiba, dando início à sua carreira no Stand Up Comedy.

Em 2004, o gênero humorístico teatral da “comédia em pé” ainda era dominado por um meio muito masculino e pouco disseminado no Brasil. O estilo estadunidense encantou Nany, que se encarregou de fazer isso de forma exemplar.

Alguns espetáculos de Stand Up que tiveram Nany como personagem principal – interpretando ela mesma -, foram: “Nany People Salvou Meu Casamento” (2007), “Uma Aula de Amor e Muito Humor” (2008-2009), “ImproRiso” (2009-2012), “Então… Deu No Que Deu” (2011) e “Muito Mais Que Um Stand-Up” (2015).

No meio de tantas participações nas peças humorísticas, Nany continuou a atuar no teatro em diversas peças, como no espetáculo “Meninas Crescidas Não Choram” (2012), interpretando Lilith Éden, “O Incrível Dr. Green” (2012), como Jussara e “Caros Ouvintes” (2016) como Ermelinda Penteado. 

Em 2021, a humorista participou da 11ª edição do Circuito Banestes de Teatro em uma edição especial totalmente online e gratuita com o seu divertido espetáculo “Nany é Pop – Um musical”.

Com texto e direção próprios, a artista cantou sobre as diversas variações do amor, através de um espetáculo divertido, interativo e recheado de músicas boas que contagiou e emocionou o público do início ao fim.

Da teledramaturgia às telonas nacionais

Em tudo o que se arrisca a fazer ela dá um verdadeiro show! Nany estrelou diversos filmes do cinema nacional ao lado de muitos outros atores renomados da teledramaturgia brasileira. 

Sua primeira atuação no cinema aconteceu no filme “Cama de Gato” (2002) do diretor Alexandre Stockler, ao lado de Caio Blat e Bárbara Paz, onde ela mesma conta que deu um verdadeiro “show” de atuação, e quem somos nós para discordar, não é?! 

Em 2012, participou do documentário “O Riso dos Outros” produzido pela TV Câmara ao lado de outros humoristas, abordando questões acerca do que é humor e do que não pode ser visto como tal. Levantando um debate importante nos tempos atuais sobre o “politicamente correto”.

No drama do diretor Rodolfo García Vázquez, “Hipóteses para o Amor e a Verdade” (2015), a artista deu uma outra cara à sua persona, no longa que conta a história de 11 personagens que se cruzam na Grande São Paulo. 

Até que em 2018, Nany realizou um sonho de muitos anos! À convite do autor Aguinaldo Silva, interpretou o personagem Marcos Paulo em “O Sétimo Guardião”. 

 

O papel foi de extrema importância para Nany por se tratar de algo que ela já conhecia: a vivência da transexualidade.

O personagem da cientista que decidiu não mudar o nome de registro e que vivia um romance com Peçanha, o personagem do ator Felipe Hintze foi aclamado e recebeu o carinho do público. 

Sucesso no entretenimento, sucesso com o público

Filmes, novelas, teatro, rádio ou cinema, seja onde for: o público vai atrás de Nany People. A artista é multifacetada e caminha facilmente entre as ocupações de repórter, colunista, radialista, atriz, diretora e humorista.

No rádio, já integrou o elenco dos programas “Pânico” e “Zíper” (2000-2001) na Jovem Pan além do programa “Sexo Oral” (2002-2005), na Rádio Rock, como repórter. Como colunista, fez sucesso na revista G Magazine de 1997 a 2003, cobrindo diversos eventos voltados ao público LGBTQIA+

Em 2010 se entregou de corpo e alma a um desafio enorme que lhe proporcionou uma nova visão sobre si mesma para o público. A sua participação em A Fazenda, rendeu muitos momentos marcantes de risadas e brigas, sendo a 6ª eliminada da 3ª edição.

Participar do reality show fez com que a “galera do sofá” conhecesse Nany de cara lavada – literalmente -, além do seu caráter, dos seus conceitos e preceitos. Conseguindo enxergar a artista da maneira como ela gostaria de ser vista pela sociedade: como pessoa livre e dona de si mesma.

Após a participação, Nany foi convidada para trabalhar no Programa Xuxa Meneghel, também da Record. Lá, com toda a simpatia e bom humor já conhecido pelo público, atuou como repórter e fazia aparições no palco ao lado da loira.

Cantar sempre foi a sua paixão, e através dessa paixão, Nany People conseguiu mostrar um lado mais calmo e romântico. Em 2019, participou da 3ª temporada do PopStar, competindo com outros artistas na atração global apresentada por Taís Araújo.

Em uma super novidade, recentemente a estrela foi convidada para integrar a nova roupagem do Caldeirão, apresentado por Marcos Mion, como jurada do quadro “Caldeirola” que vai ao ar nas tardes de sábado.

Nany People antes

Nany nasceu Jorge Demétrio e fala disso sem problema algum. Afinal, viveu 38 anos da sua vida em um corpo que sempre lhe proporcionou grandes experiências, mas que ainda não o sentia como verdadeiramente seu. Desde os 3 anos, a artista lembra que amava os brinquedos das primas. 

As coisas começaram a mudar quando Nany se mudou para Poços de Caldas e em sua nova escola na cidade, não conseguiu sair da sala no 1º dia de aula. Dona Yvone logo foi chamada pela direção e teve que ouvir que “seu filho tinha um problema de interação social”.

Anos mais tarde, Nany descobriu que a mãe foi a primeira a falar que “sabia que seu filho era diferente, mas que priorizava que ele fosse verdadeiramente feliz”. A mudança de escola, foi também, um espaço para novas lembranças e para uma rede de apoio que a artista carrega com carinho em sua vida. 

Nany passou 10 anos com acompanhamento psiquiátrico ingerindo hormônios masculinos, pois achava que essa era a melhor forma de se adequar à realidade que vivia. 

Aos 18 anos decidiu parar com os hormônios e assumir a sua verdadeira personalidade: nascia a Nany People. Começou a se vestir como mulher em festas à fantasia, bloquinhos de carnaval e casas noturnas e pegava roupas e sapatos da filha do seu patrão emprestados. 

Aos 20 anos, quando se mudou para São Paulo, a sua drag queen foi quem a ajudou a se lançar no mercado da mídia. Apesar de achar que a sua única condição era ser um homem cis homossexual, a humorista sentia que algo em seu peito ainda não estava de acordo. 

Apenas com 38 anos, após uma situação estressante com um ex-namorado que não sabia da cisgeneridade de Nany, foi que despertou para o início do seu tratamento de transição de gênero. 

A artista conta que suas feições sempre foram femininas e que se prendeu por muito tempo até de usar gorros, pois a confundiam com uma mulher. Depois da transição, com todo o apoio de Dona Yvone, finalmente pôde ser quem sempre quis. 

Hoje, Nany é uma das mulheres transexuais mais conhecidas nos lares brasileiros. E mais que reconhecida: respeitada por ser quem verdadeiramente é. Se tornou um exemplo de representatividade para a comunidade LGBTQIA+ e sempre tem algo de positivo para dizer e ensinar aos fãs.

Em sua família, Nany People também encontra muito amor e acolhimento. É madrinha da sua primeira sobrinha e também, da sua sobrinha neta. Junto aos irmãos, dão continuidade a todo o carinho que Dona Yvone sempre quis que existisse na família.

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